Guia Completo para Investir em Agronegócio na Bolsa: Tipos de Investimentos e Estratégias de Diversificação

Redação Valor Central
9 Leitura mínima

O ramo de agronegócio configura-se como um dos mais relevantes da economia brasileira. Em 2025, a área rural foi responsável por cerca de um terço da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. No confronto com 2024, houve um crescimento de 11,7%, estando presente no cotidiano dos brasileiros, seja por meio da alimentação ou até mesmo em investimentos

De que maneira investir no agronegócio brasileiro via Bolsa de Valores 

Para aqueles que desejam apostar nesse segmento, o mercado acionário oferece diversas modalidades de investimento que viabilizam o apoio – e a rentabilidade – ao agronegócio. Conheça cada uma delas: 

Cédula do Produtor Rural (CPR) 

Os Títulos de Produtor Rural (CPRs) tratam-se de papéis de rendimento fixo que têm a possibilidade de ser emitidos por produtores rurais ou suas associações, incluindo cooperativas. Existem três categorias de CPRs: físicas, financeiras e verdes. No caso da CPR Física, o investidor recebe o produto agropecuário no vencimento do papel. Na CPR Financeira, a quitação é realizada em dinheiro, seguindo o valor e prazo estipulados no título. Já a CPR Verde remunera serviços ambientais, como a preservação de vegetação nativa.

Ao longo do período de aplicação, o investidor é remunerado com juros sobre o capital, os quais são isentos de Imposto de Renda (IR) e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 

O produto já totaliza mais de R$ 6 bilhões em emissões para investidores pessoas físicas, desde agosto de 2025. O montante foi obtido em 14 emissões, que somaram 4 milhões de unidades e atraíram mais de 26 mil investidores. 

Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) 

Outra alternativa de renda fixa consiste no Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Os CRAs, por outro lado, são emitidos por securitizadoras, as quais utilizam o fluxo de caixa futuro como garantia para empréstimos destinados a financiar a produção, comercialização, beneficiamento, industrialização ou aquisição de insumos e maquinários. 

Letra do Crédito do Agronegócio (LCA) 

Completando a gama de opções em renda fixa, a LCA representa, conforme o próprio nome sugere, uma captação de recursos direcionada a empreendimentos do setor do agronegócio. As LCAs são títulos emitidos por bancos e lastreados em operações de crédito do setor. 

Fiagro 

Os fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagro) foram baseados nos Fundos Imobiliários (FIIs) e adaptados à realidade rural. O Fiagro pode investir em uma variedade de ativos, como: títulos de crédito ou títulos mobiliários da cadeia agro, direitos creditórios do agronegócio até cotas de fundos de investimentos que apliquem mais de 50% de seu patrimônio nesses ativos. 

Ações de empresas do agronegócio 

Na esfera dos ativos de renda variável, uma alternativa são as ações de companhias do setor de agronegócio negociadas na bolsa de valores. Entre elas há diversos segmentos como cana-de-açúcar, soja, carne ou outra matéria-prima do setor. 

Alguns exemplos são: JBS (JBSS3), Raízen (RAIZ4), Jalles Machado (JALL3), Marfrig (MBRF3) e muitos outros! 

Commodities no Mercado Futuro 

Outra opção em renda variável é a chance de investir em commodities do agronegócio por meio do mercado futuro. Atualmente, há 10 tipos de commodities com contratos disponíveis para negociação na B3: café arábica 4/5, café conilon, etanol hidratado, boi gordo, milho, soja e ouro.

Vantagens e desafios dos investimentos no agro

Conforme observado, o segmento disponibiliza alternativas em diversas modalidades de investimentos, com características, estruturas e níveis de risco específicos. De acordo com Leandro Zanetti, economista e sócio da Forum Investimentos, o ponto inicial antes de eleger um instrumento específico é respeitar o perfil do investidor. 

Ele acrescenta que as LCAs, de emissão bancária, apresentam como principais benefícios o baixo risco, a segurança do FGC, que abrange até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira (limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos), e a isenção de imposto de renda para pessoas físicas. “Por outro lado, o retorno tende a ser mais reduzido em relação a outros ativos”. 

“Nas emissões privadas, como CRA e CPR, a vantagem também é a isenção de imposto de renda. Contudo, o risco é de crédito privado e não há cobertura do FGC, que protege somente emissões bancárias. No entanto, o retorno desses ativos costuma ser um pouco mais elevado”, destaca. 

No âmbito dos Fiagros, Zanetti menciona que os rendimentos também são isentos de IR para pessoas físicas. Esses papéis são negociados em bolsa, de forma semelhante aos fundos imobiliários, e normalmente distribuem rendimentos mensais ao cotista. “As estruturas são variadas: existem Fiagros direcionados para crédito e outros para participações. A maioria, porém, está exposta a crédito privado do setor, o que implica um nível de risco mais elevado”. 

De forma mais genérica, conforme Rafael Bellas, Head de Alocação da InvestSmart, os benefícios de investir no agro residem na resiliência do setor, na isenção fiscal de alguns produtos e na diversificação de portfólio. “Contudo, os riscos são inerentes e incluem o climático (queda de safra), de commodities (variação de preços globais), cambial (custos em dólar) e de crédito (inadimplência)”. 

Diversificação e controle de riscos no agro 

Com o intuito de reduzir os riscos ao investir em ativos do agronegócio, Bellas destaca a importância da diversificação dentro do próprio setor, unindo diferentes tipos de ativos (renda fixa e variável), diversificando por sub-setores (grãos, cana, pecuária, etc.) e geograficamente.

“A diversificação dentro do agro auxilia na amenização de riscos específicos de cada ativo, equilibrando retornos e potencialmente aprimorando a resiliência da carteira, visto que o setor normalmente vivencia diferentes ciclos, agrícola, pecuário, climático e de mercado, ao ter exposição variada, não fica sujeito apenas a uma fonte de risco ou retorno” assevera Gustavo Moreira, planejador financeiro, especialista em investimentos e sócio da InvestSmart XP. 

Perspectivas para o agro 

De acordo com Caio Tonet, diretor institucional da W1 Inc., a agropecuária é um setor que ainda pode se beneficiar muito com eficiência em tecnologia e organização, “uma vez que o Brasil nunca teve um agro tão profissional como o atual. Há chances de aumentar a produtividade nos próximos anos.” 

“No Brasil, há a expectativa de ganho de eficiência com o passar do tempo, com a melhoria das logísticas do agro e das tecnologias. No momento, observamos uma significativa pressão no crédito do agro”, explica o diretor da W1 Inc. Isso ocorre porque o aumento das taxas de juros no Brasil também elevou os custos dos financiamentos – o que prejudicou várias empresas, já sob pressão pela redução das margens de lucro devido à desvalorização das commodities. “Obviamente são ciclos e ciclos, mas temos projeções de melhorias que podem favorecer os investidores de longo prazo”, completa. 

Gustavo Moreira também salienta que, globalmente, a demanda por alimentos e commodities agrícolas permanece em alta, o que reforça perspectivas de longo prazo para o setor, embora desafios como clima, infraestrutura e volatilidade de preços precisem ser monitorados de perto. 

Já Zanetti destaca que os principais riscos ainda são os climáticos e geopolíticos, que podem impactar tanto a produção quanto a logística e o comércio internacional. 

Deseja analisar todos os seus investimentos em um único lugar, por meio de uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3

Fonte: Bora Investir

- Anúncio -

Matérias relacionadas

Compartilhe este artigo
O Valor Central nasceu com um propósito simples: reunir, em um só lugar, tudo o que realmente importa sobre dinheiro, mercado e decisões financeiras que afetam a nossa vida todos os dias.
Nenhum comentário