Estudo Revela Estratégias para Liberar R$ 27 Bilhões em Prevenção Climática

Uma análise realizada pela Associação Brasileira de Progresso (ABDE), desenvolvida em conjunto com a Finanças Pesquisas e a Finanças Avaliação Consultoria Econômica, indicou que a capacidade do Brasil para investir em atividades de drenagem, contenção de encostas e infraestrutura urbana é em torno de R$ 27 bilhões em novos recursos destinados a ações preventivas.

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O levantamento foi separado em dois conjuntos de medidas: um focado na expansão geral do financiamento aos entes subnacionais e outro voltado especificamente para a Política Nacional de Alteração Climática (PNMC).

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O estudo Cidades com Sustentabilidade: Estabelecimento de uma Nova Realidade para os Municípios Dentro da Sustentabilidade e do Programa Nacional de Alteração Climática foi anunciado durante o período em que o Brasil enfrenta a recente tragédia causada pelas chuvas fortes em Juiz de Fora, Minas Gerais.

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A sugestão apresenta alternativas para os obstáculos fiscais e regulamentares que restringem o acesso de estados e municípios ao crédito para investimentos estratégicos em drenagem urbana, contenção de encostas, saneamento e infraestrutura resistente. Uma sugestão é que o montante anual global aprovado para novas transações seja igual ao valor da dívida a ser quitada no ano, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A outra proposta é revisar o limite de exposição das entidades de financiamento ao setor público, atualmente fixado em 45% do Patrimônio de Referência (PR) pela Resolução nº 4.995/2023. 

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“Isso permitiria restaurar o estoque sem afetar o equilíbrio fiscal. Outro ponto prevê não considerar, na contagem do limite geral, as operações de entidades com Capacidade de Pagamento A, por não representarem risco macroeconômico relevante”, menciona o estudo.

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“A análise propõe diferenciar os percentuais de acordo com o perfil da entidade: até 70% do PR para Agências de Fomento, 60% para Bancos de Desenvolvimento e 50% - com a possibilidade de exceder temporariamente até 55% - para as demais entidades financeiras de desenvolvimento”.

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Também é sugerido que a norma de destaque de capital seja alterada, passando da proporção 1:1 para 1:3 nas operações asseguradas por parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ou seja, permitindo que a cada R$ 1 de capital realçado pela entidade seja viável conceder até R$ 3 em crédito.

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“A análise ainda propõe a revisão do limite máximo de custo efetivo nas operações garantidas pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM) - repasses constitucionais da União para estados e municípios que podem ser usados como garantia de empréstimos, por serem receitas regulares e previsíveis”.

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Outra solução apontada é o aprimoramento da metodologia da Capag (Capacidade de Pagamento), indicador da Secretaria do Tesouro Nacional que avalia a saúde fiscal de estados e municípios com base em critérios como endividamento, poupança e liquidez. 

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Entre as sugestões estão a modificação do critério de endividamento, com inclusão da média ponderada da dívida, e a ampliação do espaço fiscal para entidades classificadas como A+ (aumento de 20%) e B+ (aumento de 10%) - categorias que identificam estados e municípios com melhor desempenho fiscal e maior capacidade de cumprir obrigações financeiras.

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O relatório também sugere a criação de um Banco de Projetos, com certificação supervisionada pelo governo federal, e o reconhecimento de Projetos Locais validados por Agências de Fomento, que também não seriam incluídos nos limites globais de endividamento.

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De acordo com as projeções, cada medida pode resultar em um total global anual de crédito de R$ 15 bilhões; na elevação do limite de 45% do PR, 18 bilhões; na alteração da norma de destaque de capital (1:1 para 1:3), R$ 7,1 bilhões; na revisão do limite de taxa/garantia FPM, R$ 2 bilhões; em A+ Capag acima dos limites, R$ 1 bilhão (193 municípios); em C Capag com crédito PNMC, R$ 5 bilhões (beneficiando mais de 2.200 municípios); nos projetos regionais, R$ 1 bilhão e no banco de projetos, R$ 1 bilhão.

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“A análise da ABDE evidencia que é viável conciliar a responsabilidade fiscal com a ampliação do investimento público, especialmente quando se trata de adaptação urbana às alterações climáticas. É crucial ter mecanismos que priorizem projetos certificados, estruturados e alinhados com a Política Nacional de Alteração Climática. Além de reduzir despesas futuras, estamos salvando vidas e tornando o Brasil um país mais resiliente e sustentável”, afirmou o diretor-executivo da ABDE, André Godoy.

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Fonte: Agência Brasil

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Valor Central