Os envios brasileiros de metal dourado em janeiro subiram 102,9% em relação ao mesmo período de 2025, ultrapassando os US$ 820,3 milhões. Esse é o valor mais alto do metal transportado em um único mês desde o início da série histórica em 1989, superando os US$ 815 milhões registrados em dezembro de 2025.
O mês histórico coincidiu com o auge do valor internacional do ouro. Em 29 de janeiro, o preço excedeu US$ 5,6 mil (mais de R$ 29 mil) por onça (31,1 gramas), devido às tensões entre Estados Unidos e Irã.
O Futuro de Ouro (GLD) atingiu um recorde com mais de 35 mil contratos negociados em um único dia na B3.
No dia 30 de janeiro, houve uma queda de mais de 9,8% no valor do metal. Essa foi a maior queda em um dia desde 1983. Apesar das quedas subsequentes, o valor de US$ 4,9 mil nas transações de sexta-feira, 6, ainda é considerado alto. A marca de US$ 5 mil por onça foi ultrapassada pela primeira vez em janeiro.
Em 2025, o ouro teve o seu maior aumento anual, disparando 64%. O valor das reservas internacionais do metal mantidas pelo Banco Central aumentou de US$ 11,7 bilhões em ouro em janeiro de 2025 para US$ 23,9 bilhões em dezembro.
Qual o motivo da elevação da cotação do ouro?
O aumento do preço do metal está ligado à substituição do dólar como reserva de segurança em muitas partes do mundo.
De acordo com Gustavo Cruz, economista e estrategista-chefe da RB Investimentos, a alta recente foi impulsionada pela troca de títulos do Tesouro americano por ouro nas reservas de bancos centrais, um movimento que continua acontecendo e indica mais aumento no futuro.
O economista Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana do Comércio de São Paulo (Italcam) e CEO da Energy Group, afirma que o ouro está subindo devido à concentração excessiva do sistema financeiro global no dólar, levando a uma busca gradual por alternativas estratégicas, e não por pânico iminente.
Ainda que o valor do ouro tenha caído desde a máxima, Cruz acredita que existem fundamentos para novas altas no médio prazo.
Quantidade exportada pelo Brasil também aumentou
O valor das exportações brasileiras de ouro foi favorecido por um crescimento de 15,4% na quantidade enviada em janeiro de 2026 em comparação com 2025. Foram 6,8 toneladas, contra 5,9 toneladas no ano anterior.
No entanto, essa quantidade ainda está longe do recorde de volume de exportações de ouro em um único mês, alcançado em setembro de 2001, quando o Brasil exportou 248 toneladas do metal.
André Matos, CEO e sócio-fundador da MA7 Negócios, explica que a redução no volume exportado está relacionada a uma produtividade menor. As restrições ambientais e operacionais em minas produtivas contribuíram para a diminuição da quantidade de ouro extraído. Ele considera que o foco atual nas exportações reflete uma maior qualidade do produto, com um mercado cada vez mais exigente por ouro refinado.
Principais destinos do ouro brasileiro em janeiro de 2026
O Canadá foi o maior comprador de ouro brasileiro no mês, seguido pela Suíça e Reino Unido, como mostrado na tabela abaixo:
| # | País | Valor (R$) | Volume (Kg) |
| 1 | Canadá | 298.320.010 | 2.457 |
| 2 | Suíça | 265.057.730 | 2.536 |
| 3 | Reino Unido | 107.669.858 | 749 |
| 4 | Emirados Árabes Unidos | 81.333.396 | 576 |
| 5 | Alemanha | 35.987.806 | 275 |
| 6 | Índia | 16.685.357 | 118 |
| 7 | Itália | 10.315.029 | 71 |
| 8 | Estados Unidos | 4.962.206 | 48 |
| 9 | Portugal | 958 | 3 |
| 10 | Hong Kong | 11 | 0 |
| 11 | Panamá | 9 | 5 |
*Texto originalmente publicado em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora Investir
