Depois da resolução tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro de manter a taxa de juros chave da economia brasileira (Selic) em 15% ao ano, ao concluir o primeiro encontro de 2026, os investidores estão analisando os efeitos em suas carteiras e futuras tomadas de decisão em Fundos Imobiliários (FIIs).

Esta situação ocorre devido ao fato de que o órgão não apenas sustentou os juros, conforme antecipado pelo consenso de mercado, mas também indicou um possível início da tendência de redução na próxima reunião, agendada para março.

Essa diminuição é considerada crucial, de acordo com o Clube FII. “A manutenção prolongada dos juros em níveis elevados encarece o controle da inflação à custa da atividade econômica, desacelerando o desenvolvimento. Esse desaceleramento já está evidente nos indicadores, visto que o crédito dispendioso desencoraja investimentos e a criação de empregos”, destaca Lana Santos, analista do Clube FII.

A taxa de juros em território restritivo é a ferramenta utilizada pelo Banco Central para gerenciar a inflação, objetivando a meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nos últimos meses, as previsões vêm diminuindo, de acordo com as publicações do Boletim Focus, divulgadas pelo próprio BCB. “Paralelamente, as estimativas de inflação têm recuado e estão muito mais próximas da meta. Portanto, os cortes não são apenas previstos, mas também indispensáveis para o dinamismo da economia”, complementa Santos.

Oh, olá 👋 Prazer em conhecê-lo(a).

Inscreva-se para receber conteúdo incrível em sua caixa de entrada, todos os dias.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Repercussão dos juros elevados

A taxa de juros de dois dígitos age como um impedimento para a economia, com consequências esperadas não apenas na inflação, mas também na atividade econômica. O mercado de trabalho, por sua vez, tem demonstrado resiliência à política restritiva, como mencionado no comunicado emitido ontem pelo colegiado.

No mercado de ações, uma Selic elevada tende a ter impactos negativos nos mercados por várias razões, como maior aversão ao risco, competição com a renda fixa, pressão sobre setores sensíveis a juros e custo de capital mais alto.

“Além disso, a taxa alta eleva o custo da dívida das empresas e o risco de inadimplência em ativos de crédito — como CRIs e CRAs, presentes nos FIIs e Fiagros. Um ambiente financeiro restritivo prejudica o caixa das companhias e exige cuidado redobrado do investidor”, lembra Santos.

Desconto em FIIs oferece oportunidades antes dos cortes

Em momentos de reversão no ciclo, muitos investidores aguardam o Copom iniciar o ciclo de redução para começar a investir em ativos de renda variável como FIIs, no entanto, quando isso ocorre, os juros longos já baixaram anteriormente, pois o mercado antecipa essas decisões, levando a uma valorização IFIX. Em outras palavras, para não perder o momento adequado, o recomendável é investir antes da queda na Selic, instrui o Clube FII. Apesar da volatilidade na curva de juros, o otimismo predomina no mercado de FIIs, na visão de Santos, mantendo a trajetória ascendente consolidada em 2025 (que encerrou com +21,15%).

“Mesmo com essa valorização, o IFIX ainda negocia com um desconto médio de 10% sobre o Valor Patrimonial (VP). Destacam-se os fundos de lajes corporativas (quase 30% de desconto) e os Fundos de Fundos (16%). Até os fundos de papel, que investem em ativos de renda fixa indexados a juros ou inflação, possuem um desconto médio de 3% e proporcionam um dividend yield de 13% ao ano, isento de IR”, destaca.

Apesar do aumento acumulado, o ano de 2026 começa com uma distorção de preços que ainda é visível, com ativos reais sendo comercializados abaixo de seu valor patrimonial. “Com a inflação controlada, juros em baixa e os descontos atuais, prevemos 2026 como um ano promissor. A valorização das cotas também aproxima muitos fundos de seu valor patrimonial, reabrindo a oportunidade de captação, que estava fechada por muito tempo”, conclui Santos, que aguarda um ano marcado pela retomada das emissões e pelo crescimento da indústria.

*Artigo originalmente publicado em ClubeFII, parceiro de B3 Bora Investir

Deseja avaliar seus investimentos em um único lugar? Baixe o APP B3! Mais conveniência para você, mais expertise para seus investimentos

Fonte: Bora Investir

Share.

O Valor Central nasceu com um propósito simples: reunir, em um só lugar, tudo o que realmente importa sobre dinheiro, mercado e decisões financeiras que afetam a nossa vida todos os dias.