O crescimento de 2,3% da economia nacional no ano de 2025 coloca o Brasil como o sexto colocado no ranking de expansão do G20, conjunto das maiores economias do mundo.
Nesta terça-feira (3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relatou que o Produto Interno Bruto (PIB) totalizou R$ 12,7 trilhões no último ano.
O PIB representa o conjunto de mercadorias e serviços fabricados no território e age como indicador do desempenho econômico. No ano anterior, a agricultura foi o principal propulsor do PIB do país.
Imediatamente após a publicação dos resultados pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgou uma lista com o desempenho do PIB entre as 16 economias do G20 que já revelaram os dados consolidados de 2025.
A relação é liderada pela Índia, que apresentou um crescimento de 7,5% em relação a 2024. O Brasil surge logo à frente dos Estados Unidos, a maior potência econômica global.
Veja o ranking:
1º) Índia: 7,5%
2º) Indonésia: 5,1%
3º) China: 5%
4º) Arábia Saudita: 4,5%
5º) Turquia: 3,6%
6º) Brasil: 2,3%
7º) EUA: 2,2%
8º) Canadá: 1,7%
9º) União Europeia: 1,6%
10º) Reino Unido: 1,4%
11º) Japão: 1,1%
12º) Coreia do Sul: 1%
13º) França: 0,9%
14º) Itália: 0,7%
15º) México: 0,6%
16º) Alemanha: 0,4%
Expansão com abrandamento
O desempenho do PIB do Brasil em 2025 representou o quinto ano consecutivo de crescimento. Contudo, os dados indicam abrandamento, ou seja, perda de vigor. Em 2024, a expansão havia sido de 3,4%.
Os especialistas do Ministério da Fazenda atribuem a desaceleração à política monetária com taxas elevadas.
“Isso sugere que a estratégia monetária restritiva teve efeito significativo sobre a atividade, contribuindo para a redução do excedente de produção”, afirma a pesquisa.
No vocabulário dos economistas, excedente de produção é um indicador da capacidade de produção da economia sem causar pressão inflacionária. A diminuição do excedente mencionada no relatório da SPE sinaliza que as taxas altas desencorajaram o consumo a ponto de frear o aumento de preços.
Impacto das taxas de juros
A estratégia monetária restritiva, ou seja, taxas elevadas, foi a ferramenta do Banco Central (BC) para conter a inflação, que permaneceu praticamente todo o ano de 2025 acima da meta estabelecida pelo governo, de 3% ao ano com possibilidade de variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A partir de setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC definiu uma trajetória ascendente para a Selic ─ taxa básica de juros ─ elevando-a para 15% ao ano em junho de 2025 e mantendo-a nesse patamar desde então. É o maior valor desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.
A Selic influencia todas as demais taxas de juros no país e, quando elevada, tem um efeito restritivo na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O resultado esperado é uma menor demanda por produtos e serviços, o que contribui para a desaceleração da inflação. A consequência adversa é que uma economia em ritmo lento tende a diminuir a criação de empregos.
“A perda de ímpeto tornou-se mais visível no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estática em relação ao primeiro”, destaca o relatório da SPE.
Apesar do cenário restritivo, 2025 encerrou com o menor índice de desemprego já registrado pelo IBGE.
Previsão para o ano de 2026
O Copom já sinalizou a intenção de reduzir a Selic na próxima reunião do colegiado, agendada para os dias 17 e 18 de março.
Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, analisou que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impactar a redução das taxas de juros.
A SPE estima que o PIB deva crescer 2,3% em 2026.
“A previsão é de uma desaceleração significativa na área da agricultura, compensada por um aumento mais expressivo nos setores da indústria e dos serviços”, antecipa a SPE.
Os especialistas consideram que a possível diminuição dos juros impulsionará a indústria e a construção. A isenção de imposto de renda para pessoas com salários de até R$ 5 mil mensais, iniciada no começo do ano, é outro estímulo ao crescimento, conforme a SPE.
“Para os serviços, prevê-se também um crescimento maior, impulsionado pela alteração na tributação sobre a renda e pela expansão do crédito consignado para empregados do setor privado, somado à resiliência do mercado de trabalho”, afirma o boletim.
Fonte: Agência Brasil
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