O recrudescimento das tensões no Oriente Médio pode acarretar consequências diversas para o comércio externo brasileiro, com possível incremento nas exportações de combustíveis e impacto transitório adverso nas vendas de mantimentos. A análise é do chefe de Representações Quantitativas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão.
Em conversa nesta quinta-feira (5) para analisar números da balança comercial, Brandão afirmou que embates na região têm o costume de pressionar o valor do petróleo no mercado externo, o que tende a beneficiar o Brasil, que é exportador líquido desse recurso.
“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, à medida que o custo do petróleo avance, o superávit do comércio de combustíveis tende a crescer”, declarou o chefe do Mdic.
Por outro lado, Brandão salientou que nações do Oriente Médio são consumidores relevantes de mantimentos brasileiros, como aves, milho, açúcar e itens halal (elaborados conforme as diretrizes islâmicas).
Segundo o chefe, uma provável repercussão adversa nas vendas desses produtos deve ser momentânea. “A procura por mantimentos nessas nações não irá desaparecer. As correntes tendem a se normalizar”, assegurou.
Estados Unidos
As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,523 bilhões em fevereiro, redução de 20,3% em comparação com o mesmo mês do ano passado. As importações também diminuíram, caindo 16,5% e totalizando US$ 2,788 bilhões. Com isso, o saldo comercial com o país foi desfavorável em US$ 265 milhões.
China
Em direção contrária, as exportações para a China assinalaram vigoroso avanço. Em fevereiro, as vendas brasileiras para o país asiático atingiram US$ 7,220 bilhões, crescimento de 38,7% comparado aos US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
O desfecho correspondeu a um superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial com o país asiático.
Segundo Brandão, um dos fatores que influenciaram os números de importação foi a aquisição de uma unidade de extração de petróleo no valor de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. O dispositivo foi comprado da Coreia do Sul, o que também impactou as estatísticas regionais de comércio.
União Europeia e Argentina
As exportações brasileiras para a União Europeia avançaram 34,7% em fevereiro, atingindo US$ 4,232 bilhões. As importações do bloco recuaram 10,8%, para US$ 3,301 bilhões, gerando um superávit de US$ 931 milhões.
China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil e exercem influência direta no desempenho da balança comercial do país.
Fonte: Agência Brasil
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