A Delegação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou hoje, de forma unânime, o Tratado de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A discussão sobre o documento teve início em 10 de fevereiro, quando o parlamentar Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou seu parecer sobre o acordo, porém um requerimento para mais tempo de análise adiou a votação.
Com a aprovação, o tratado seguirá para apreciação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente.
O documento ainda precisa ser validado pelos Legislativos da Argentina, Paraguai e Uruguai, além do Parlamento Europeu. A efetivação só ocorrerá após a conclusão de todas as etapas.
Assinado em 17 de janeiro no Paraguai, o tratado foi encaminhado para análise da representação brasileira no Parlasul pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2 de fevereiro.
O acordo estabelece uma zona de livre comércio entre os dois blocos, com a redução gradual de taxas e a proteção de setores considerados delicados, além de prever mecanismos para solucionar disputas.
O texto possui 23 seções que abordam, entre outros temas, a diminuição de tributos de importação e o estabelecimento de normas para diferentes áreas. O Mercosul deverá eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos. Enquanto isso, a União Europeia extinguirá as tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em até 12 anos.
O tratado cria a maior área de livre comércio global, envolvendo mais de 720 milhões de indivíduos. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo poderá aumentar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais do Brasil, favorecendo até mesmo a indústria nacional.
>> Veja os principais pontos do tratado:
1. Abolição de taxas alfandegárias
Redução progressiva de taxas sobre a maioria dos bens e serviços;
Mercosul: eliminará as tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos;
União Europeia: isentará as taxas sobre 95% dos produtos do Mercosul em até 12 anos.
2. Benefícios imediatos para a indústria
Isenção de tarifas desde o início para vários produtos industriais.
>> Setores favorecidos:
Máquinas e equipamentos;
Veículos e peças automotivas;
Itens químicos;
Aeronaves e dispositivos de transporte.
3. Acesso ampliado ao mercado europeu
Corporações do Mercosul terão preferência em um mercado de alto poder de compra;
A União Europeia possui um PIB estimado em US$ 22 trilhões;
As transações comerciais tendem a ser mais estáveis e com menos barreiras técnicas.
4. Contingentes para produtos agropecuários sensíveis
Itens como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
Acima dessas cotas, será aplicada uma tarifa;
Com o tempo, as cotas aumentarão e as tarifas diminuirão, em vez de permitir a entrada sem restrições;
Essa medida visa evitar impactos bruscos sobre os agricultores europeus;
Na UE, as cotas representam 3% dos produtos ou 5% do valor importado do Brasil;
No mercado brasileiro, chegam a 9% dos produtos ou 8% do valor.
5. Salvaguardas para produtos agropecuários
>> A UE poderá reintroduzir temporariamente tarifas se:
As importações ultrapassarem limites estabelecidos;
Os preços ficarem significativamente abaixo do mercado europeu;
Essa medida será aplicável a setores considerados delicados.
6. Compromissos ambientais mandatórios
Produtos contemplados pelo acordo não poderão ter conexão com desmatamento ilegal;
As cláusulas ambientais serão obrigatórias;
Existe a possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.
7. Normas sanitárias permanecem rígidas
A UE não flexibilizará os padrões sanitários e fitossanitários.
Os produtos importados seguirão padrões rigorosos de segurança alimentar.
8. Comércio de serviços e investimentos
>> Diminuição da discriminação regulatória para investidores estrangeiros.
>> Progressos em áreas como:
Serviços financeiros;
Telecomunicações;
Transporte;
Serviços empresariais.
9. Aquisições públicas
Empresas do Mercosul poderão participar de concorrências públicas na UE;
Regras mais transparentes e previsíveis.
10. Proteção da propriedade intelectual
Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
Normas claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.
11. Foco nas pequenas e médias empresas (PMEs)
Seção específica para PMEs;
Medidas para facilitar procedimentos aduaneiros e o acesso a informações;
Redução de despesas e burocracia para pequenos exportadores.
12. Impacto no Brasil
Potencial aumento das exportações, especialmente nos setores agrícola e industrial;
Maior integração às cadeias globais de valor;
Possível atração de investimentos estrangeiros a médio e longo prazo.
13. Próximos passos
Aprovação pelo Parlamento Europeu;
Ratificação pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
Aplicação somente após a conclusão de todas as etapas;
Acordos que ultrapassam questões comerciais precisam da aprovação dos parlamentos de cada nação.
Confira as informações do Jornal Brasil Tarde, da TV Brasil
Fonte: Agência Brasil
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